Subjetiva..

 

Alegria e angústia minha
É viver ao teu lado
E ver a todo instante inacabado
O projeto de amar e ser amado
Como é frágil flor
Os traços finos deste amor
Que se balança ao vento
Ao doce som de meus tormentos
Amargas são as lágrimas tuas
Mais amargas que a solidão das ruas
Que vivem a ausência na madrugada nua
Estes olhos distantes que me culpam
Estes olhos tristes que me insultam
Este amor sincero que se oculta
Nos despojos da sagrada luta
Me lançam estilhaçado num exílio
Desesperançado num inútil martírio
Buscando a saída do delírio
Como se fosse este o último suspiro
Sou Dragão alado
Poeta sem face, desumanizado
Um conceito perdido, deturpado
O vil, o réu, o condenado
Quem mereceria perdão
Quem mereceria simplesmente o não
Quem experimentaria por vontade os açoites da humilhação
Quem beijaria a face da gélida solidão…
Quem trocaria rubis por palha
Quem aceitaria do outro as falhas
Sem crucificar e envolver em mortalhas
Quem pode abraçar a dor, quem pode suportá-la…

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